JOSE SARAMAGO MEMORIAL DO CONVENTO PDF

A few months after the family moved to the capital, his brother Francisco, older by two years, died. He spent vacations with his grandparents in Azinhaga. When his grandfather suffered a stroke and was to be taken to Lisbon for treatment, Saramago recalled, "He went into the yard of his house, where there were a few trees, fig trees, olive trees. And he went one by one, embracing the trees and crying, saying good-bye to them because he knew he would not return. After graduating, he worked as a car mechanic for two years. Later he worked as a translator, then as a journalist.

Author:Mogrel Kigor
Country:Puerto Rico
Language:English (Spanish)
Genre:Video
Published (Last):3 May 2015
Pages:419
PDF File Size:3.53 Mb
ePub File Size:18.9 Mb
ISBN:869-8-29830-915-4
Downloads:62765
Price:Free* [*Free Regsitration Required]
Uploader:Memi



Joгo V. Concomitantemente, й narrada a construзгo de uma passarola, sonho do padre Bartolomeu com os auspнcios do rei, mas perigosamente а margem do Santo Ofнcio. Uma das questхes corticais neste romance й a fronteira entre a histуria e a ficзгo. Saramago nгo se vк como um escritor histуrico mas antes como um autor de uma histуria na Histуria. O seu argumento traduz-se numa estratйgia narrativa que entrecruza trкs planos relevando o da ficзгo da Histуria e o do Fantбstico em detrimento do plano da Histуria.

Joгo V, com Autos-de-Fй, procissгo de penitentes, casamento dos infantes Joгo V e a rainha Ana de Бustria em caricaturas e elevando, na edificaзгo de Mafra, um herуi coletivo e anфnimo — os milhares de trabalhadores e o plano do Fantбstico construзгo da Passarola, sonho de Blimunda, Baltasar, personagens ficcionais e Bartolomeu Lourenзo, figura histуrica do tempo.

Neste romance, Saramago transforma Mafra num sнmbolo do paнs. A escrita de Saramago integra-se nos novos caminhos do romance em Portugal nos ъltimos anos tendo sabido recriar os caminhos do Fantбstico. Em Memorial do Convento, a vertente fantбstica, nгo sendo instituнda como referкncia isotуpica primordial, funciona pela oposiзгo ao mundo retratado, como elemento fundamental.

No romance, a realidade histуrica encontra-se enleada nas teias da ficзгo e mais concretamente no fantбstico quando fatos conhecidos pelo leitor sгo cruzados com elementos meta-empнricos, como o вnimo que dб ao homem a possibilidade de voar e o jejum que comunica а filha da feiticeira a capacidade de vislumbrar o interior dos humanos.

O fantбstico torna-se em Saramago "um modo de exacerbar a atenзгo sobre a terra portuguesa, sobre as suas demasias e os seus golpes. Estrutura da obra O romance estб dividido em 25 capнtulos nгo-denominados, sem numeraзгo alguma tambйm, estabelecendo-se como divisгo apenas os espaзos em branco entre os que compхem a obra. O palбcio que abriga a nobreza de D. Joгo V, por onde o clero transita com facilidade; 2.

As ruas de Lisboa, sempre cheias da "arraia-miъda", o povo pobre , faminto; 3. A quinta chбcara para onde vгo Blimunda e Baltazar construir a Passarola; 4.

A cidade de Mafra e os arredores. O tempo narrativo й do tipo cronolуgico e estб inserido entre duas datas: "dezessete de novembro deste ano da graзa de " e , como indica o ъltimo capнtulo, a data da morte do escritor e comediуgrafo brasileiro Antфnio Josй da Silva, o Judeu, autor das Guerra de Alecrim e Manjerona, em Ou seja, a histуria que vamos analisar tem duraзгo temporal de 22 anos. O volume percorre um perнodo de aproximadamente 30 anos na Histуria de Portugal а йpoca da Inquisiзгo.

O cenбrio й rico, registrando nгo sу o fato histуrico, mas reconstituindo a vivкncia popular, numa viagem a diferentes povoados ao redor de Lisboa. Foco narrativo A obra, de imediato, traz uma novidade para o leitor: o narrador, indubitavelmente onisciente, comporta-se de uma forma inusitada ao apresentar a fala dos personagens.

A forma canфnica de se materializar o discurso direto й com a utilizaзгo dos chamados verbos dicendi e de uma notaзгo constituнda por dois pontos : e travessгo — ou aspas " ". Saramago nгo se utiliza desse expediente, adotando uma forma nova: Blimunda levantou a cabeзa, olhou o padre, viu o que sempre via, mais iguais as pessoas por dentro do que por fora, sу outras quando doentes, tomou a olhar, disse, Nгo vejo nada.

O padre sorriu, Talvez que nгo tenha vontade, procura melhor, Vejo, vejo uma nuvem fechada sobre a boca do estфmago. O padre persignou-se, Graзas a Deus, agora voarei. Verifique os exemplos: 1. Foco com terceira pessoa: "Jб se deitaram. Esta й a cama que veio da Holanda quando a rainha veio da Бustria, mandada fazer de propуsito pelo rei, a cama, a quem custou setenta e cinco mil cruzados, que em Portugal nгo hб artнfices de tanto primor, e, se os houvesse, sem dъvida ganhariam menos. A desprevenido olhar nem se sabe se й de madeira o magnнfico mуvel, coberto como estб pela armaзгo preciosa, tecida e bordada de florхes e relevos de ouro, isto nгo falando do dossel que poderia servir para cobrir o papa.

Quando a cama aqui foi posta e armada ainda nгo havia percevejos nela, tгo nova era, mas depois, com o uso, o calor dos corpos, as migraзхes no interior do palбcio, ou da cidade para dentro, rica de matйria e adorno nгo se lhe pode aproximar um trapo a arder para queimar o enxame, nгo hб mais remйdio, ainda nгo o sendo, que pagar a Santo Aleixo cinqьenta rйis por ano, a ver se livra a rainha e a nуs todos da praga e da coceira.

Usa pronomes demonstrativos como se apontasse os acontecimentos, os seres e as coisas: "Esta й a cama que veio da Holanda O narrador apresenta uma natureza multнmoda. O narrador assume o papel de comentador e de crнtico nгo se furtando a uma relaзгo de cumplicidade com o narratбrio, utilizando a primeira pessoa do plural propiciando a este uma atitude de anбlise e de crнtica relativamente ao tempo representado e o seu prуprio tempo de enunciaзгo.

O autor, na linha da inovaзгo e no caminho da subversгo, consegue criar um ritmo de escrita que lembra a poesia, conjugando enumeraзгo, comparaзгo e metбfora, introduzindo aforismos, provйrbios e ditados, recriando o uso da pontuaзгo, usando marcas do discurso oral, construindo efeitos irфnicos e humorнsticos e entrelaзando o seu discurso com outros discursos literбrios como o de Camхes e jogos de conceitos tнpicos do Barroco.

O prуprio Saramago, na posiзгo de narrador do Memorial do Convento, explica sua opзгo pela recuperaзгo da imaginaзгo na escrita: " O narrador utiliza o anacronismo em comentбrios e crнticas estabelecendo um paralelo entre o passado e o presente, levando a que elementos atuais se incorporem no passado como acontece com o comentбrio "dirнamos hoje de gala" quando se refere a um uniforme.

Personagens A reconstruзгo do romance histуrico em Saramago tem na personagem, como jб indiciamos, outro exemplo de subversгo. Na tradicional ordenaзгo das personagens do romance histуrico, podнamos encontrar o protagonista-tipo, representante das evoluзхes do momento histуrico-social e as figuras histуricas tнpicas.

Estes elementos sгo a antнtese em Saramago. A personagem neste autor й excкntrica e singular. Destaca-se pelo insуlito e pela diferenзa, como Baltasar e os seus poderes sobrenaturais ou Blimunda Por outro lado, o coletivo dos trabalhadores de Mafra, porventura esquecidos num romance histуrico tradicional, sгo elevados pela diferenзa ao centro das atenзхes na narrativa, numa nнtida intenзгo de valorizaзгo. Blimunda й uma personagem que se destaca pela dinвmica que imprime а aзгo e pelas suas facetas peculiares: em jejum, consegue ver "por dentro" pessoas e objetos, numa combinaзгo do popular, do fantбstico e do fictнcio.

O padre Bartolomeu Lourenзo й o oposto do clero da йpoca: acadкmico e intelectual que tem dъvidas, й um inventor que sonha com uma mбquina fantбstica. A subversгo conhece o seu grau mais elevado no tratamento das grandes figuras histуricas. Ao contrбrio do que acontece no romance histуrico de Scott e Tolstoi onde Maria Stuart, Luнs XI ou Kutusov sгo figuras inesquecнveis de recorte de йpoca, pessoal e humano, em Saramago as figuras histуricas perdem a sua grandeza histуrica e sгo pintadas com as cores da caricatura.

Sгo exemplos mбximos o rei e a rainha, meros instrumentos da necessidade nacional em produzir um herdeiro. A subversгo й ainda transgressгo na forma de tratamento das personagens Baltasar e Blimunda que assumem, no fundo, o centro do romance ao contrбrio do que o leitor poderia esperar a partir das pбginas iniciais, nas quais Mafra e o casal real se perfilam como nъcleo da narrativa.

A relaзгo entre Baltasar e Blimunda estб fora de todos os cуdigos, nomeadamente os sociais da йpoca tornando-se este par um sнmbolo da transgressгo e de mensagem para fora do seu tempo e para todos os tempos. O casal й instituнdo em comunhгo com o universo numa ligaзгo amorosa ilнcita e desviante, sem cвnone ou regra de йpoca, alcanзando num espaзo sem igual uma perfeiзгo que nгo й deste mundo. Personagens Histуricos D.

Joгo Quinto, rei de Portugal, a quem se atribuнa grande sabedoria, mau humor e sexualidade exagerada. No romance, й retratado como um libertino ignorante, libidinoso e vulgar, que gostava de montar rйplica da Basнlica de S. Ana Maria Josefa, princesa austrнaca que se tornou rainha de Portugal, casada com D. A histуria a descreve como beata, submissa e medrosa.

Padre Bartolomeu Lourenзo de Gusmгo, brasileiro, nascido em , apelidado de "O Voador" por ter inventado a passarola aerуstato ; morto em , dado como louco pela Inquisiзгo. Domкnico Scarlatti, mъsico italiano barroco, compфs inъmeras mъsicas para cravo e esteve realmente em Portugal por tempos, ensinando mъsica para a infanta D. Ao voltar а Itбlia, notabilizou-se e ganhou nome e destaque como compositor e maestro. Personagens de ficзгo: As personagens que compхem este romance nos encantam pela singeleza de que sгo compostas, pela coragem, bravura.

Mas sobretudo nos encantam pelo que sгo de humanas, inquietas e capazes de ir ao encontro de seu verdadeiro destino. Blimunda de Jesus Blimunda Sete-Luas - й uma criatura diferente: enxerga as pessoas "por dentro" se estiver em jejum. Tem 19 anos, й forte, decidida, ama Baltazar assim que o vк, sabia que ele seria seu amor para sempre: "Correu algum sangue sobre a esteira.

Com as pontas dos dedos mйdio e indicador umedecidos nele, Blimunda persignou-se e fez uma cruz no peito de Baltazar, sobre o coraзгo. Estavam ambos nus. Tambйm sabe que terб Blimunda para sempre: "Baltazar Mateus, o Sete-Sуis, estб calado, apenas olha fixamente Blimunda, e de cada vez que ela o olha a ele sente um aperto na boca do estфmago, porque olhos como estes nunca se viram, claros de cinzento, ou verde, ou azul, que com a luz de fora variam ou o pensamento de dentro, e аs vezes tornam-se negros noturnos ou brancos brilhantes como lascado carvгo de pedra.

Enredo Josй Saramago volta a apresentar no romance, um contador de histуrias, Manuel Milho, trabalhador na construзгo do Convento de Mafra e amigo de Baltasar Sete-Sуis, um dos protagonistas da narrativa. O Josй Pequeno protestou, Nunca se ouviu histуria assim, em bocadinhos, e Manuel Milho emendou, Cada dia й um bocado de histуria, ninguйm a pode contar toda Memorial do Convento - pбg. A histуria de Manuel Milho acaba com uma liзгo moral que ensina aos ouvintes o exemplo daqueles que perseguiram tenazmente as suas vontades.

Joгo V estб casado com D. Maria Ana Josefa hб mais de dois anos, mas ela ainda nгo engravidou. A rainha reza novenas e, duas vezes por semana, recebe o rei em seus aposentos. Й preciso dizer aqui que o rei, quando ambos se casaram, dormia com ela todos os dias, mas resolveu separar os aposentos por causa de um cobertor de penas de ganso que trouxe ela da Бustria, e, com o passar do tempos, somando-se a ele humores de ambos, passou a ter cheiro insuportбvel.

O rei nгo fez ainda 22 anos e monta, para se distrair e porque gosta, a rйplica da Basнlica de S. Mas, O cвntaro estб а espera da fonte, metбfora para definir que a rainha estб а espera do rei como se fora um vaso onde ele depositarб seu sucessor.

E para os aposentos da rainha o rei se dirige, mas, como se fosse um apresentador, o narrador nos informa que chegou ao castelo D. Nuno da Cunha, bispo inquisidor, e traz consigo um franciscano velho. Afirma o bispo que o frei Antфnio de Sгo Josй assegurou que se o rei se dignasse a construir um convento em Mafra, teria descendкncia:Enquanto isso, a rainha conversa com a marquesa de Unhгo, rezam jaculatуrias e proferem nomes de santos. Saнdo o bispo e o frei, o rei se anuncia D. Maria tem que "guardar o choco", a conselho dos mйdicos e murmura oraзхes, pedindo ao menos um filho que seja.

Sonha com o infante D. Francisco, seu cunhado e dorme em paz. Em paz? Os percevejos, mal cessam as mexidas no colchгo real, "comeзam a sair das fendas, dos refegos, e se deixam cair do alto do dossel, assim tornando mais rбpida a viagem. Joгo tambйm sonharб esta noite, em seu quarto. Sonharб com seus descendentes, com o filho que poderб advir da promessa da construзгo do convento de Mafra. Um convento, conforme disse frei Antфnio de S.

Josй, sу para franciscanos Frei Miguel da Anunciaзгo morreu de tifo ou febre tifуide e seu corpo exalou, durante trкs dias, nas cerimфnias, um suavнssimo cheiro: " Um outro caso que й narrado sobre milagres й o de ladrхes que foram roubar a igreja de S.

Francisco e que lб foram recebidos pelo prуprio santo, em pessoa. Um dos ladrхes, tomado pelo pavor, sofreu um choque tгo grande que ficou como morto, estatelado, no chгo.

Socorrido por fiйis que o colocaram sobre o altar, recuperou-se. O santo transpirou demasiado e para fazer acordar o homem que estava dado como morto, passaram nele uma toalha umedecida com o suor do santo.

O ladrгo se recuperou e, levantou-se e foi embora, "salvo e arrependido". Outro caso contado pelo narrador й o do furto de trкs lвmpadas de prata do convento de S.

Francisco de Xabregas no qual entraram gatunos pela clarabуia e, passando junto а capela de Santo Antфnio, nada ali roubaram.

THE MASTER CODE BOOK CARL MUNCK PDF

Memorial do Convento (1982)

.

IMPLOSION - THE SECRET OF VIKTOR SCHAUBERGER PDF

"Memorial do Convento", de José Saramago

.

Related Articles